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Noticia

Nota de pesar da FENECAP

  19/03/2018
  14:22
  Atualizado em 09/09/2018 09:07

Marielle Franco se apresentava como “cria da Maré, mulher, mãe, negra, vereadora, mestre em Administração Pública, lutadora”. Em 2016, foi eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro com 46.502 votos, sendo a quinta candidata mais votada da cidade. Militante de muitas causas sociais, Marielle era presidente da Comissão de Defesa da Mulher na Câmara e participante da comissão criada para acompanhar a intervenção federal no Rio.

É com grande pesar que lamentamos o falecimento de Marielle Franco, violentamente assassinada a tiros na noite do dia 14 de março de 2018 no centro do Rio de Janeiro, quando retornava do evento "Jovens Negras Movendo as Estruturas". Marielle sempre trabalhou pela defesa dos direitos humanos e pelo envolvimento dos cidadãos na política. Sua trajetória fala por si só, levantando com determinação e esperança a pautas feministas, LGBT e raciais há tanto tempo marginalizadas e ignoradas no país.

Era uma representante acessível virtualmente e fisicamente, determinada a se posicionar sempre junto à população. Se mantinha aberta a conversas, participava das mais diversas manifestações e não tinha medo de expressar seus posicionamentos. Não tolerava injustiças, preconceitos e violências, batalhando com o que estava em seu alcance e além para mudar as realidades de desigualdades estruturais do Brasil.

Tivemos a honra de recebê-la para discutir a importância dos mecanismos de participação para as gestões municipais. Enquanto debatia com candidatos de outros partidos e de posicionamentos discordantes, sempre manteve o respeito, a clareza e o sorriso tranquilo que expressava e transmitia a segurança de quem acreditava no que estava fazendo, falando e defendendo.

Não é pontual o assassinato de uma mulher negra. Entretanto sua representatividade nos diz muito mais do que duras estatísticas da realidade brasileira. A execução, nove disparos, deixam uma mensagem de horror transmitida. Naqueles que sonham em um dia transformar a realidade de desigualdade e opressões estruturais, cresce a sensação de medo e impotência em atuar ocupando os espaços públicos, pautando e denunciando temáticas difíceis; cresce a sensação de medo e indignação num país em as cadeiras de sua câmara federal são ocupadas apenas por 0,6% de mulheres negras. Nós, da FENECAP e do DAGV acordamos hoje assustados e indignados. Estudamos e atuamos por acreditar na transformação da realidade brasileira. A execução de alguém que lutava todos os dias em busca dessa transformação despertou sentimentos diversos em cada um(a) de nós. Seguimos acreditando na transformação e, à esta mensagem de terror que nos enviaram: vamos continuar estudando, construindo e ocupando os espaços em busca de um país menos desigual e violento. Que tenhamos a força, a vontade e a disposição de uma mulher negra, mãe e periférica para realizar essas transformações.

No mês de março, mês dedicado às mulheres, acontecimentos como este, servem para salientar todos os marcos diários de luta que as mulheres enfrentam. Não podemos nos omitir. Não podemos deixar que este fato estampe manchetes e seja esquecido em semanas.

Vida longa aos sonhos de Marielle Franco e que sua luta seja perpetuada pelos tantos que admiravam seu trabalho por um país melhor. Que seu assassinato não seja um dos tantos crimes injustos sem resposta, e que a justiça seja feita com a mesma perseverança que ela reivindicava diante dos violentos cenários nacionais.

A FENECAP e o DAGV sustentarão sua causa. À Marielle e ao motorista que a acomanhava, nossos mais sinceros sentimentos à família, amigos e todos aqueles que compreendem o significado dessas dolorosas perdas.

© Anepcp 2018

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